Urânio em 2026: Como a Inteligência Artificial e as Ordens de Trump Estão Criando o Ciclo Mais Explosivo da Década
Você já reparou que, de repente, todo mundo fala de IA, data centers e falta de energia, mas pouca gente conecta isso com urânio e política? Em 2026, essas três peças — urânio, inteligência artificial e as ordens de Trump — começam a se encaixar num cenário que pode ser um dos ciclos mais fortes da década para quem investe em energia e commodities.
MERCADO DE ENERGIA
Rodrigo Ornelas
O novo bull market do urânio
Depois de anos esquecido, o urânio voltou para o centro do mapa dos investidores por um motivo simples: demanda em alta e oferta travada. Relatórios recentes mostram um mercado com déficit estrutural, em que a produção de minas tende a cobrir menos de 75% das necessidades futuras dos reatores, após anos de subinvestimento e prazos longos de licenciamento.
Pesquisas com gestores indicam que mais de 85% deles esperam preços de urânio mais altos em 2026, com muitas projeções na faixa de 100 a 120 dólares por libra e cenários de estresse chegando a 135 dólares se a oferta não reagir.
Casas especializadas como Sprott destacam “fundamentos de longo prazo cada vez mais fortes”: utilities ainda abaixo do ritmo ideal de contratação e necessidade de preços mais altos para destravar reaberturas e novos projetos.
Esse descompasso faz com que o urânio deixe de ser visto apenas como combustível de nicho e passe a ser tratado como ativo de segurança energética e infraestrutura crítica, especialmente em países desenvolvidos.
Para o investidor, isso significa um mercado com potencial de alta, mas também com volatilidade acima da média, já que qualquer notícia sobre minas, sanções ou usinas pode mexer forte nos preços.
IA, data centers e a fome por energia
A explosão da inteligência artificial não é só um tema de tecnologia, é um assunto de eletricidade — e pesado. Data centers de IA são cargas quase ininterruptas, que exigem energia firme 24/7, algo que eólica e solar sozinhas não conseguem entregar.
Pesquisas com mais de 600 investidores mostram que a demanda elétrica vinda de IA está sendo tratada como estrutural, não como moda passageira, e isso reforça o papel da energia nuclear na matriz.
Matérias recentes apontam que o boom de IA e de data centers hyperscale já está apertando ainda mais o balanço do urânio, em cima de um mercado que já vinha com oferta curta, o que fortalece a tese de preços elevados além de 2026.
Organismos internacionais como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) falam abertamente em uma “convergência” entre IA e nuclear: reatores fornecem energia estável e limpa para IA, enquanto IA otimiza operação, manutenção e segurança dos reatores.
Esse casamento IA + nuclear está deixando de ser teoria: países como Japão, Coreia do Sul e Emirados Árabes já discutem ou implementam regras para aproximar data centers de instalações nucleares, enxergando isso como vantagem estratégica.
O plano nuclear de Trump e o papel das ordens executivas
Nos Estados Unidos, Donald Trump decidiu acelerar esse movimento com o conjunto mais agressivo de ordens executivas nucleares da história recente do país. Em maio de 2025, quatro ordens foram assinadas com um objetivo claro: recolocar os EUA na liderança nuclear global e garantir energia para IA, defesa e indústria.
As ordens estabelecem uma meta de até 400 GW de capacidade nuclear até 2050, cortam prazos de licenciamento para algo como 18 meses e criam um programa acelerado para reatores avançados e pequenos reatores modulares.
Os textos ligam explicitamente a expansão nuclear às necessidades de energia de data centers de IA, chegando a designar essas instalações como infraestrutura crítica de defesa.
O Departamento de Energia foi instruído a usar toda a base legal disponível para viabilizar reatores destinados a IA, selecionar locais em áreas federais e garantir combustível, inclusive com pelo menos 20 toneladas de HALEU (urânio de alto teor) para projetos em terrenos do próprio DOE.
Contratos bilionários foram anunciados para ampliar capacidade de enriquecimento de urânio e desenvolver linhas de combustível avançado, com empresas privadas escolhidas para tocar projetos de HALEU e novas tecnologias.
Na prática, isso mexe em toda a cadeia: mineração, conversão, enriquecimento, tecnologia de reatores e, por tabela, a percepção de risco e retorno do setor de urânio e nuclear no mercado financeiro.
Onde o investidor entra nessa história
Quando se fala em “ciclo explosivo” de urânio, é fácil se empolgar, mas é crucial lembrar que risco aqui é tão grande quanto o potencial de retorno. Antes de qualquer decisão, vale entender os principais caminhos de exposição e os fatores que podem fazer tudo dar certo… ou muito errado.
Possíveis formas de exposição ao tema:
Mineradoras e desenvolvedoras de urânio:
Empresas com minas em operação ou projetos avançados podem capturar diretamente a alta de preço, mas sofrem com risco operacional, regulatório e de execução de projetos.
Jurisdição e qualidade de ativos são diferenciais enormes: em um mercado apertado, minas em países estáveis tendem a ser mais valorizadas que grandes recursos em regiões politicamente frágeis.
ETFs físicos e de produtores de urânio:
Veículos que compram urânio físico ou cestas de ações do setor permitem exposição diversificada, diluindo o risco de apostar em uma única empresa.
Esses produtos ajudam o investidor a capturar a tese macro (IA + nuclear + política) sem precisar acompanhar em detalhe cada operação de mina ou usina.
Empresas de tecnologia nuclear e reatores avançados:
Há um grupo de companhias focadas em pequenos reatores modulares, reatores avançados e cadeias de combustível para HALEU que estão diretamente no alvo das ordens de Trump.
O risco aqui é de “tecnologia em desenvolvimento”: cronogramas podem atrasar, licenças podem emperrar e algumas empresas podem nunca chegar à escala comercial.
Riscos que você precisa ter em mente:
Reversão de políticas ou mudança de prioridade em governos futuros.
Acidentes, incidentes de segurança ou pressão social contra nuclear, que podem travar projetos ou derrubar cotações de todo o setor.
Ciclos de preço: commodities sobem e caem, e quem entra apenas no auge da narrativa costuma sofrer mais.
Como montar seu próprio filtro
Em vez de sair comprando qualquer coisa com “uranium” ou “nuclear” no nome, você pode usar alguns filtros simples:
Entender se a empresa/ETF está mais ligada à parte de combustível (mineração, enriquecimento) ou à parte de tecnologia/reatores.
Ver se há exposição aos grandes vetores: aumento de demanda por IA, políticas pró-nuclear (como as ordens de Trump) e déficit de oferta de urânio.
Avaliar se a tese é de longo prazo (5–10 anos) e se você está preparado para aguentar volatilidade forte no meio do caminho.
E agora: oportunidade histórica ou risco exagerado?
Todo esse movimento — IA devorando energia, urânio em déficit estrutural e os EUA empurrando uma agenda agressiva de expansão nuclear — cria um cenário raro, em que tecnologia, energia e geopolítica se cruzam em um único ativo. Para alguns, é a chance de uma geração; para outros, um risco regulatório e tecnológico grande demais.
E você, em qual time está?
Você enxerga essa combinação IA + nuclear + ordens de Trump como o início do maior ciclo de urânio da nossa geração ou acha que o risco ainda pesa mais? Conta nos comentários qual é a sua visão e se gostaria de um próximo conteúdo focado apenas em como analisar ações e ETFs ligados ao urânio na prática.